Blog · 09/08/2026
Segundo Parecer Psicológico: Quando Vale a Pena Pedir
TL;DR: Um segundo parecer técnico não substitui a perícia oficial, mas pode revelar falhas metodológicas que o primeiro parecer não abordou, incorporar documentos que surgiram depois, ou reforçar a tese técnica antes de um recurso — especialmente quando o cenário processual mudou desde a primeira análise.
Por que buscar uma segunda opinião técnica
A prática de buscar uma segunda opinião especializada é consolidada na medicina e vem ganhando espaço também na psicologia jurídica, à medida que advogados e partes compreendem que um parecer técnico não é uma peça estática — ele pode e deve evoluir conforme o processo avança. Diferentes fatores tornam essa segunda análise relevante: mudança de estratégia processual, surgimento de nova prova documental, insatisfação com a profundidade do primeiro parecer, ou simples necessidade de reforço técnico diante de um recurso.
Situações em que um segundo parecer costuma agregar valor real
- Novos documentos entraram no processo depois do primeiro parecer — relatórios escolares, prontuários médicos, mensagens trocadas entre as partes — que não foram considerados na análise original.
- Mudança de advogado trouxe nova linha argumentativa, que exige suporte técnico específico não coberto pelo parecer anterior.
- O processo caminha para recurso e a tese técnica precisa de reforço mais robusto do que o parecer inicial, muitas vezes produzido sob prazo apertado.
- Dúvida fundada sobre a metodologia usada na primeira análise — por exemplo, se o primeiro parecer não utilizou instrumentos padronizados ou não fundamentou adequadamente suas conclusões.
- Divergência entre profissionais que atenderam a mesma família em momentos diferentes, exigindo uma leitura integradora dos diferentes pareceres.
O segundo parecer não enfraquece o primeiro — quando bem conduzido
Um receio comum é que pedir um segundo parecer sinalize fragilidade da tese processual. Na prática, quando bem conduzido e tecnicamente justificado, o segundo parecer tende a complementar e atualizar a análise, não a contradizê-la sem fundamento. É importante que o segundo profissional tenha acesso ao primeiro parecer e seja transparente sobre pontos de concordância e eventuais divergências, sempre com justificativa técnica explícita — nunca simplesmente "discordando" sem embasamento.
Quando o segundo parecer pode, sim, contradizer o primeiro
Há situações em que a conclusão do segundo parecer diverge significativamente da primeira — e isso não é, por si só, um problema, desde que a divergência seja tecnicamente justificada. Isso costuma ocorrer quando: o primeiro parecer foi produzido com informações incompletas, posteriormente complementadas; houve mudança relevante na situação fática entre uma análise e outra (por exemplo, evolução do quadro psicológico da criança em disputa de guarda); ou o segundo profissional identifica uso inadequado de instrumentos psicométricos no primeiro parecer.
O momento processual certo para pedir
Não existe um momento único ideal — depende da estratégia do caso. Ainda assim, alguns marcos costumam ser mais propícios: logo após a entrega do laudo pericial oficial (para reforçar ou contrapor tecnicamente suas conclusões), antes da interposição de recurso de apelação (quando a tese técnica precisa de solidez adicional), ou quando documentos novos e relevantes surgem no curso do processo.
Tabela-resumo: quando pedir e quando não é necessário
| Situação | Pedir segundo parecer costuma valer a pena | Provavelmente não é necessário |
|---|---|---|
| Documentos novos relevantes surgiram | Sim | — |
| Primeiro parecer foi tecnicamente robusto e sem mudanças fáticas | — | Sim |
| Processo caminha para recurso importante | Sim | — |
| Divergência é apenas de opinião, sem novo fundamento técnico | — | Sim, reavaliar necessidade |
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Perguntas frequentes
1. Um segundo parecer enfraquece o primeiro perante o juiz? Não necessariamente — quando tecnicamente justificado, tende a ser lido como complemento ou atualização, não como contradição gratuita.
2. É preciso justificar formalmente ao juiz por que se pede um segundo parecer? Não há exigência formal de justificativa prévia, mas a estratégia deve ser bem alinhada com o advogado responsável pelo caso.
3. O segundo parecer pode chegar a conclusão oposta à do primeiro? Pode, desde que fundamentado em elementos técnicos concretos — novos documentos, mudança de quadro, ou falha metodológica identificável no primeiro.
4. Existe um prazo-limite para pedir um segundo parecer? Depende da fase processual; mesmo em fase recursal, geralmente ainda é possível juntar novo parecer como reforço argumentativo.
5. O custo de um segundo parecer costuma compensar? Depende da importância da prova técnica no resultado esperado do processo e do valor em disputa — vale avaliar com o advogado responsável.
Autor: Robison de Souza Alves Pereira — Perito em Psicologia Forense, CRP 06/156275, Perito TJSP nº 66.627.
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